Silêncio Interestelar
E dizia eu que tu estavas sempre calado. Nunca falavas. Não te percebia nesse silêncio interestelar. E o teu descanso preocupava-me. Alguém com ganas para conquistar o mundo e mesmo assim permanecia calado. Punhas-me as moléculas a ferver. Sempre com a cabeça na lua, mas com o coração do lado certo. Isso apaziguava-me apesar de me dar comichões.
Coxeavas um bocadinho da alma. Mas tinha graça. Essencialmente porque te amava.
E amo.
- Camila.
Foste injusto comigo às vezes. Não me deste tanto amor como devias. E eu ficava no crepúsculo do teu coração, que mesmo cheio de amor por mim, parecia ter secado.
Agora tudo e todos me falam do amor que permanece. Mas foi mesmo apenas o amor que ficou. Tu não. O teu corpo já não me toca mais. E fazes me falta, merda.
Coxeavas um bocadinho da alma. Mas tinha graça. Essencialmente porque te amava.
E amo.
E sabia que mesmo que um dia ficasse com o coração em bocados espalhados pelos desenhos que um dia me pintaste, nunca mais estaria sozinha. O melhor de ti ainda vive em mim. Há de viver sempre. Nessa fração de tempo em que nos perdemos, nessa coragem que nos faltou.
Se sobrevivi a ti, hoje o mundo podia acabar. Eu continuaria aqui intacta.
- Camila.
Comentários
Enviar um comentário